País chega a 400 mil mortes por covid-19 em cenário de vacinação lenta

O Brasil ultrapassou nesta quinta-feira (29/04) a barreira de 400 mil mortes confirmadas por covid-19, em uma velocidade até então desconhecida nesta pandemia. O país somou mais 100 mil mortes em 36 dias.

Para se ter uma ideia da aceleração, os primeiros 100 mil óbitos ocorreram ao longo de 149 dias. Os 100 mil seguintes aconteceram em um intervalo de 152 dias. Dos 200 mil para os 300 mil óbitos, passaram 76 dias.

Já são 401 mil mortes registradas pela doença em pouco mais de um ano. E todas as comparações são superlativas. Seria como o Maracanã lotasse cinco vezes para ver a final da Copa de 2014 entre Alemanha e Argentina ou como dizimar toda a população de Olinda (PE), o 65º maior município brasileiro.

Em 6 de abril, o país registrou o maior número de mortes por covid em 24 horas, com 4.211 óbitos. Especialistas chegaram a projetar até 5 mil mortes por dia, mas isso não ocorreu e o Brasil tem visto o número de casos, mortes e internações começar a ceder, após restrições adotadas em diversos Estados. Mas esses três indicadores permanecem em níveis muito altos: a média móvel de óbitos, por exemplo, é de mais de 2,5 mil por dia.

Essa melhora em função das medidas de distanciamento no Brasil coincidiu com o descontrole da pandemia na Índia. Na posição do fim de abril, a Índia é o país onde mais pessoas morrem de covid-19 e onde se registram mais casos novos, com mais de 300 mil diagnósticos por dia, nas estatísticas oficiais.

Agora, países que viram a pandemia fugir do controle, como Estados Unidos e Reino Unido, mas voltaram ao básico – máscaras, distanciamento social, vacinação em massa – começam a permitir a circulação de pessoas, mesmo sem máscaras, como em algumas situações em algumas regiões nos EUA.

Aqui, a vacinação segue em ritmo lento e nem 15% da população total foi imunizada até o fim de abril. Tal lentidão é parte da equação que explica por que hoje o Brasil é o segundo lugar no mundo onde mais pessoas morrem hoje por covid-19. O Brasil responde hoje por pouco mais de 18% dos óbitos pela doença no planeta – número que, antes do descontrole da Índia, chegou a bater em 30%.

O quadro das mortes também não é mais o mesma na comparação entre os Estados. O Rio de Janeiro, que ficou em segundo lugar nos primeiros cem mil óbitos e também na segunda onda, foi ultrapassado por Minas Gerais. São Paulo, que passou por grave pressão no sistema de saúde, ampliou participação entre os óbitos, enquanto o Amazonas, que viveu uma tragédia provocada pela combinação de uma cepa nova de coronavírus, colapso no sistema hospitalar e até falta de oxigênio, viu sua situação melhorar.


Créditos: Caio Martinelli, Felipe da Cruz Martins e Roberta Ingegneri

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